Inovação aplicada na detecção e Combate à Fraude Presente nos mais diversos campos da vida cotidiana, a tecnologia é uma importante ferramenta também para a detecção e o combate a fraudes, especialmente as de natureza financeira. E este foi o tema do painel apresentado pelos peritos criminais Audrey Souza e Renato Rodrigues Barbosa, durante a 26ª CONVECON.

O vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CRCSP, João Carlos Castilho Garcia, realizou a abertura do painel e falou sobre a importância da tecnologia em todos os segmentos da nossa vida nos dias de hoje. Suely Gualano Bossa Serrati, conselheira da APEJESP e do CRCSP fez a moderação do painel.

Inovação, segurança, vulnerabilidades, gerenciamento de riscos e as tendências futuras do mercado foram alguns dos tópicos destacados pelos peritos. Eles apresentaram casos de detecção e combate a fraudes, destacando o papel da tecnologia e processos disruptivos para auxiliar o perito em sua função.

Audrey apresentou um breve relato do avanço tecnológico e explicou que estas novas tecnologias podem ser utilizadas para proteger dados, inclusive dados oriundos de fraudes. "Não há limites para a inovação. A tecnologia pode ser utilizada tanto para o bem como para o mal. Escolha o lado certo e se prepare", destacou o perito, que falou também sobre as competências e habilidades necessárias para os peritos.

Renato Barbosa ressaltou em sua apresentação sobre a importância do ser humano neste contexto tecnológico. "Toda fraude é motivada por um interesse, uma emoção do autor e é necessário um ser humano para compreender esta motivação. Esta bússola moral e discernimento são diferenciais que as máquinas não possuem e dificilmente possuirão um dia", ressaltou o perito.

Confira entrevista com Audrey Souza sobre o assunto

"Novas tecnologias e movimentos disruptivos também ocorrem dentro de estruturas criadas para o cometimento de fraudes e crimes, sobretudo os financeiros. Como toda ferramenta tecnológica, podem ser utilizadas tanto para propósitos íntegros, quanto para criminosos", avalia Audrey Souza, perito criminal da Polícia Federal.

Os noticiários, segundo ele, estão repletos de matérias que tratam de setores, departamentos, unidades e empresas estruturados e voltados ao cometimento de crimes. Para enfrentar este ambiente hostil, Souza entende que o profissional da área contábil, desde aquele que atua como preparador até os auditores, consultores e peritos, precisam estar atentos e preparados para mitigar, adequadamente, riscos desta natureza, seja na perspectiva de riscos aos seus clientes ou ao próprio profissional. Nosso propósito é desmistificar o uso das novas tecnologias como ferramentas aptas a auxiliar o profissional a gerenciar riscos, detectar e combater as fraudes na área contábil-financeira de forma mais efetiva", diz.

A Revolução 4.0 tem impactado fortemente todas as áreas de atuação, sobretudo aquelas que possuem (ou possuíam) atividades repetitivas, embora com algum valor agregado. "A área contábil não ficou alheia a este fenômeno que se intensifica e ganha novos contornos a cada segundo. Enquanto escrevia este texto tomei conhecimento de mais um tipo de robô utilizado para realizar atividades financeiras e de controle e com um índice de aprendizado de máquina extremamente elevado", observa.

Em termos de desafios, o perito criminal crê, para a avaliação dos impactos destas novas tecnologias reside justamente na velocidade com a qual as mudanças estão ocorrendo, com modelos e ferramentas sendo superadas a cada instante. "Mas vejo como positivo o fato de que estamos em vias de passar da fase da negação, caminhando para aceitar este novo paradigma. Com isso, poderemos nos dedicar, cada vez mais, à análise e investigação dos dados e informações geradas com o auxílio destas novas tecnologias. Ou seja, no momento, creio que o maior impacto percebido seja a necessidade de (re)descobrir a função analítica da contabilidade, entendida como um sistema apto a indicar red flags de erros e fraudes", pondera.

Segundo ele, embora seja grande a preocupação com os impactos das novas tecnologias sobre as atividades da contabilidade, é imperativo ter em mente que este fenômeno é processual e cíclico, ou seja, não é novo, é contínuo e ininterrupto. "Historicamente, podemos identificar diversos momentos em que passamos por adaptações decorrentes de inovações tecnológicas. De fato, em todos estes momentos, observamos a diminuição de esforços voltados à execução de tarefas mecânicas, com o incremento de esforços à execução de tarefas analíticas e investigativas. E isto nos mostra que sempre como decorrência de uma revolução tecnológica (modo de fazer), vem uma revolução cultural (modo de pensar)", pontua.

Para finalizar, Souza acredita que a grande questão é que, agora, as mudanças (tecnológica e cultural) estão ocorrendo numa velocidade assustadoramente alta, ou seja, temos que nos adaptar ao novo fazer e ao novo pensar numa velocidade incrementada exponencialmente.

"E este exercício constante de (re)pensar e (re)fazer em alta velocidade e alta performance demandam novas habilidades técnicas e cognitivas: o contador-cognitivo, devidamente conectado em ambientes colaborativos. Creio que este é o nosso presente".

Fonte: Comunicação CRCSP


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